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historiavivaA proposta do livro “História Viva – Conceição do Mato Dentro: A cultura e memória de um povo e seu legado para o futuro”, teve como coluna vertebral a apresentação, de maneira singular e especial, da história do município de Conceição do Mato Dentro.

 

O projeto teve a condução da KLG Editora (Belo Horizonte- MG). O Instituto Espinhaço, como ONG que se dedica, estatutariamente, às questões culturais, foi o idealizador da proposta de construção deste projeto e o apresentou à Editora. Construída a proposta, o Instituto assumiu o papel de interveniente junto à execução do projeto e participou ativamente no processo de coleta de informações e materiais, além da cooperação para a elaboração dos textos e das capturas das imagens para o livro. O objetivo final foi que todo este trabalho resultasse num livro de excelência tanto de textos quanto de imagens sobre a rica e singular história de Conceição do Mato Dentro. Ao abordar temáticas e histórias que se interconectam, o livro propôs valorizar o cidadão de Conceição e despertar o amor pela sua história, onde ele é o protagonista de toda a epopeia de vida desta gente que respira a mineiridade.

 

O desenvolvimento do projeto do livro contou com a participação de vários especialistas, doutores pesquisadores, escritores e personalidades como a do senhor Mário Soares, ex-presidente de Portugal – que assinou o prefácio do livro e da senhora Monique Augras, francesa radicada no Brasil e que é uma das maiores autoridades em cultura e religiosidade afro-brasileiras. A senhora Monique escreveu o capítulo dedicado a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
Neste processo, de forma essencial e especial, está a presença do Instituto Brasilan, que coordenou uma ampla e profunda pesquisa sobre o arquétipo primordial e o sagrado feminino da Vigem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do município. Além desta pesquisa, o Instituto Brasilan coordenou os trabalhos de pesquisa geológica e geomorfológica da serra do Espinhaço e ainda, com a temática da filosofia da natureza e presente na história atual do município.

 

As imagens que foram produzidas para o livro, pelo fotógrafo Jorge Santos (in memorian), são de altíssima qualidade e são um atrativo à parte dentro do conjunto da obra. A qualidade do papel, da impressão e encardenação seguiu um alto padrão de qualidade e beleza. Mas o maior presente para a comunidade, é que o livro é distribuído gratuitamente para as escolas, bibliotecas, associações comunitárias e entidades, de forma que toda a população tenha acesso permanente ao conteúdo do livro. Afinal, ele foi pensado para que a comunidade conheça a história singular, a cultura e a beleza natural do município de Conceição do Mato Dentro, um dos mais antigos do Estado de Minas Gerais.

 

O objetivo do livro foi trazer á baila novos dados, agregando trabalhos preciosos já realizados, como “História de Conceição do Mato Dentro”, do saudoso Geraldo Dutra de Morais, “Conceição do Mato Dentro – Fonte de Saudade –“ do ilustre conceicionense Dr. Joaquim Ribeiro Costa e “Viagens Através Dos Tempos e Contratempos Da História De Conceição”, de Edilene Carneiro e Vanessa Conrado. Com o auxílio das famílias locais, o projeto foi enriquecido com depoimentos de história oral.

 

O projeto do livro História Viva, nesse sentido, abrange não apenas um resgate ou valorização da história do município, mas, sobretudo, outros aspectos que contribuíram e ainda contribuem para que Conceição do Mato Dentro continue a ser berço e matriz das mais legítimas manifestações culturais do povo de Minas Gerais, manifestações que desafiam o tempo, nas montanhas do Espinhaço.

 

Conheça um pouco mais sobre a história de Conceição do Mato Dentro

 

“Fundado em 1702 pelos bandeirantes Ponce de Leon, Gaspar Soares e Manuel Correia de Paiva, o município de Conceição do Mato Dentro é uma das cidades mais importantes do ciclo do ouro no Brasil. As terras onde hoje está o município de Conceição do Mato Dentro, na verdade, precedem a este período, tendo sido a região ocupada desde tempos ancestrais pelos índios Botocudos, descendentes dos Aimorés, que chegaram até a região pelo vale do Rio Doce – Watu para os indígenas -, seguindo as margens do Rio Santo Antônio ou Coaraceci, na linguagem dos Krenaks.

 

O arraial de Nossa Senhora da Conceição nasceu da busca incansável das bandeiras portuguesas pelo ouro abundante na região da Serra do Espinhaço. Ponce de Leon encontrou, nas margens do Ribeirão Cuiabá, as mais significativas jazidas de ouro de toda a região. No início do século XVIII, Conceição ficou vinculada à Comarca da Vila do Príncipe do Serro Frio, tendo se emancipado poste­riormente.

 

Figuras lendárias e expoentes no período de colonização participam desta história, como o próprio Ponce de Leon – cujos pais eram de natu­ralidade paraguaia -, ou a lendária figura do Intendente Câmara, além de inúmeras famílias de imigrantes que chegaram à cidade em busca do el­dorado perdido, da riqueza e da pros­peridade.

 

Conceição teve sua fase áurea no período da exploração do ouro e diamantes. Contudo, sofreu forte pressão de Portugal que exercia intenso controle econômico e social através da cobrança do quinto sobre o mineral precioso que saída de suas terras e do leito do Rio Santo Antônio, um dos principais veios de ouro da região, segundo estória transmitida aos antigos moradores por seus antepassados.

 

Famílias de várias descendências se desenvolveram no lugar, mas Conceição do Mato Dentro foi perdendo importância econômica com o passar das décadas e da decadência da mineração. Sua localização geográfica e a dificuldade de acesso distanciavam-na, ainda mais, dos centros econômicos e culturais que surgiam em Minas. O município sofreu com esta estagnação socioeconômica, passando de um grande centro de peregrinação pelo ouro a um modesto local de agropecuária de subsistência.

 

Ao longo desta rica história, Con­ceição do Mato Dentro, como a maioria das antigas cidades históricas do Brasil-colônia, recebeu forte influência da Igre­ja Católica, que incentivava e avança­va junto com as bandeiras portuguesas. Conceição, nascida predestinada no rito da fé, tornou-se um local de romaria per­manente ao Bom Jesus do Matozinhos, com maior intensidade no mês de junho através da comemoração do jubileu que atrai romeiros de todo o país e do mundo para a cidade.

 

Conceição teve também uma presen­ça importante de escravos  em suas fazen­das, berço que foi de comunidades qui­lombolas e de uma religiosidade baseada no sincretismo e na mistura de crenças africanas, indígenas e portuguesas. Surgiram, assim, manifestações culturais que estão vivas até hoje no imaginário e na realidade do povo, como a Folia de Reis, o Congado, a Marujada, entre outras.

 

Os tropeiros que da cidade saíam ou que por ali passavam levando iguarias e produtos aos centros econômicos, e deles trazendo notícias, sal e tecido (a chita como diziam os antigos) tiveram uma influência peculiar nesta história. Eram o elo de ligação de Conceição do Mato Dentro com o mundo. Voltavam com mil histórias na cabeça – aventuras pas­sadas, perigos enfrentados. Traziam produtos que jamais haviam sido vistos, “tecnologia” dos tempos de outrora; traziam os sonhos de um dia vis­lumbrar algo melhor para aquela gente.
Por ela seguiam as lendárias jar­dineiras repletas de malas sobre o teto, que tantas memórias ficaram com os mais velhos. Por ela circulavam as notícias, as novidades, os objetos de desejo e também os necessários para a sobrevi­vência num lugar tão ermo quanto Con­ceição do Mato Dentro. Por ela também chegavam as cartas dos Correios, que uniram pessoas, amores e ajudaram a construir uma sociedade.

 

Depois veio a estrada, construída a partir de 1926, cuja obra foi considerada “a maior obra viária do país” naqueles idos, segundo relato em livro daquela época do engenheiro Daniel de Carvalho, conceicionenses e naquele tem¬po diretor do Departamento de Obras do governo Washington Luis. Era a estrada que ligava Belo Horizonte à “zona da mata leste” – denominação para a região de Guanhães e Governador Valadares.

 

Conceição vivia assim como se estivesse completamente isolada do mundo. E era assim que aqueles moradores se acostumaram a viver, depois que o ouro sumiu e os exploradores foram embora. Conceição passou a “exportar” todas as suas inteligências para o mundo. Sim, para o mundo, porque Conceição do Mato Dentro sempre teve disto, vez que em qualquer lugar do mundo há alguém que ali nasceu como um pedaço do ouro que foi embora para enriquecer outras nações.

 

Na transição do século XX para o XXI, outras riquezas de Conceição do Mato Dentro foram descobertas. Um novo “eldorado” se apresentou. Os no¬vos “bandeirantes”, transformados em ecologistas deste novo tempo, trouxeram à tona uma riqueza muito maior e mais duradoura do que a de outrora.
Cachoeiras monumentais, cânions, serras, vales e paisagens foram apresentados ao mundo e um novo ciclo de aventuras iniciou-se. Todos que à cidade chegavam queriam encontrar e estar nos lugares mágicos, sagrados, depositários da energia virgem da mãe Terra, ocultadas aos olhos dos nativos e dos viajantes, esquecidas ao longo de décadas e décadas de exploração e subsequente ostracismo econômico. Talvez de propósito, o destino tenha guardado essa riqueza construída ao longo de milhões e milhões de anos. Um novo ciclo se apresentou, com o desafio de desenvolver um novo paradigma socioeconômico para essa região, através do turismo sustentável.
Foi assim que Conceição do Mato Dentro ressurgiu no cenário nacional e até mesmo internacional. A descoberta de lugares inimagináveis como a Cachoeira do Tabuleiro, a Cachoeira Rabo de Cavalo, o Salão de Pedras e tantos outros, que desencadeia olhares extasiados dos visitantes, transformou Conceição do Mato Dentro num destino procurado por muitas pessoas. A questão ambiental deu lugar de destaque a Conceição, tornando-a um expoente na Serra do Espinhaço.

 

Com essas descobertas e um tra­balho profícuo de revitalização da ci­dade e de resgate de seus valores, a cidade prosseguiu num processo de transformação.  Conceição do Mato Dentro sur­giu então como um destino turístico, rota obrigatória da Estrada Real. Afinal, a cidade, era no passado, um dos pontos de passagem desse caminho an­tigo utilizado pelos portugueses na época do Império.

 

Conceição do Mato Dentro nunca perdeu também sua vocação minerado­ra. A região concentra uma das mais importantes riquezas minerais do país e que, desde os tempos passados, fomen­tou o enriquecimento da Coroa Portu­guesa. O minério de ferro de Conceição, desde há muito desperta o interesse pelo desenvolvimento. Na verdade, Conceição foi o berço da siderurgia brasileira.
Em abril de 1809, o Intendente Câmara assentou a primeira pedra de um alto-forno no arraial do Morro do Gaspar Soares, hoje município de Morro do Pilar, na época pertencente à freguesia de Conceição do Mato Dentro. A presença maciça do minério de ferro sempre despertou o interesse de grandes empresas de mineração e hoje a ci­dade vive uma nova fase onde a conciliação entre esse novo período de extração com o desenvol­vimento social, econômico e ecológico dessa comunidade tricentenária constituir-se-á em exercício importante a ser desenvolvido por todos.

 

Essa nova fase da história de Con­ceição do Mato Dentro deve ser uma fonte de riqueza e melhoria na quali­dade de vida para a população, desde que realizada de forma sustentável, em sintonia com os novos paradigmas de desenvolvimento, sem comprometer as futuras gerações e sem macular a voca­ção natural desta terra: a de resguardar um patrimônio natural único, singular em sua beleza e importância biológica.

 

É neste contexto que o livro sobre Conceição do Mato Dentro se encon­tra. A ideia básica parte do princípio de que é importante resgatar a origem desta terra e deste povo, valorizando seus detalhes históricos, sua cultura, sua religiosidade, sua riqueza mineral, seu patrimônio natural e – o mais impor­tante -, a marca indelével de seu povo ao longo dos seus 307 anos de história.
Conceição do Mato Dentro resume muito do matiz social e antropológico que ajudou a formar o povo das Minas Gerais. O viver isolado sobre a montan­ha, a herança dos antepassados indígenas na alimentação e nos costumes, o amor à natureza e o conservadorismo nas rela­ções sociais foram marcantes na história da cidade e, com certeza, influenciaram muito na formação do povo mineiro.

 

Conceição já foi terra de coronéis, de importantes fazendas que ditavam a política da região, de uma sociedade rígida e conservadora baseada nos princípios católicos. E herdou tudo isto como se cada fase desta história ficasse gravada nos seus inúmeros paralelepípe­dos e nos seus casarões e igrejas históri­cos. Hoje, a cidade é uma perspectiva de modelo de sustentabilidade. É uma opor­tunidade, uma nova página da história que poderá ser escrita, esperamos, com detalhes de sabedoria e equanimidade. Muito dessa história se perdeu ao longo do tempo, mas este trabalho bus­ca justamente resgatar aquilo que não pode se perder com o passar dos anos. A cidade ainda conserva documentos importantes de todo este período e a história oral ainda pode trazer à tona fatos importantes desta rica trajetória de uma cidade. Monumentos ainda con­tinuam desafiando o tempo para que esta história seja preservada, mas um patrimônio imaterial de rara riqueza pre­cisa ser imortalizado através do registro de costumes ainda vivos, de um jeito de se expressar original e de tantas outras nu­ances que fazem parte da vida deste povo”.

O Projeto Catopé, desenvolvido pelo Instituto,  trabalha a identificação, o resgate e o apoio às festas e manifestações culturais tradicionais dessa região do espinhaço.

 

O nome Catopê é uma manifestação folclórica, de influência africana, que perdura em Minas por mais de 160 anos. O Catopê veio da Congada, que também é uma antiga tradição mineira. Levando pelotões de homens com tambores, pandeiros, roupas brancas, fitas coloridas e penas de pavão na cabeça, os dançantes de Catopê saem pelas ruas das cidades, dançando e tocando em louvor a Nossa Senhora do Rosário, Divino Espírito Santo e de outras divindades cultuadas na serra do Espinhaço.

 

Um dos objetivos principais deste projeto é trabalhar as festas tradicionais que estão enfraquecidas ou que já deixaram de existir, principalmente nos pequenos lugarejos, distritos rurais e pequenos centros urbanos. Neste contexto, os trabalhos são desenvolvidos juntos às pequenas comunidades, onde as festas populares são culturalmente mais ricas, carregando uma originalidade e belezas únicas, com matizes singulares que formam estas comunidades.

Dentro do Projeto “História, Saberes e Memória”, o Instituto Espinhaço, em parceria com o Instituto Brasilan, com a Paróquia de Conceição do Mato Dentro, com a Fundação Casa de Cultura do município e com a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, elaborou a proposta do projeto “Espaço Memória do Ginásio São Francisco”. O prédio, que abrigou um importante educandário desde 1.918, foi a referência educacional na região centro-leste de Minas. Este mesmo prédio está sendo reformado para abrigar um complexo educacional ( SENAI, Universidade Aberta do Brasil e cursos profissionalizantes).

 

O complexo será inaugurado até o mês de junho deste ano e se chamará “Complexo Educacional José Aparecido de Oliveira”.
O Instituto, através deste projeto, está realizando uma grande pesquisa histórica com os pesquisadores e historiadores Sarah Pires Ferreira, coordenada pelo professor Célio Macedo, doutor em história pela USP. Ainda participam do trabalho de coleta um jornalista, dois estagiários e um fotógrafo profissional. A pesquisa, com duração de quatro meses, fornecerá vários elementos para a criação do “Espaço Memória” reunindo, além de materiais de época, depoimentos, fotografias, documentos e objetos, para resgatar o símbolo histórico-cultural deste marco educacional. O projeto será dividido em duas etapas: a primeira, de pesquisa, coleta, registro e documentação dos arquivos e objetos encontrados. A segunda fase, contará com a participação de um museólogo e de outros especialistas e irá propor a montagem definitiva do espaço memória no prédio do ginásio, tomando por base os acervos encontrados na fase 1 do projeto.

Afirmam Tradições remotíssimas que o ser humano possui quatorze sentidos. Embora nada indique que existam nove sentidos, além dos cinco já conhecidos (exceto em raríssimos casos), eles estão latentes em nós de modo adormecido ou letargiados pela falta de uso dos mesmos. Destes quatorze sentidos sabe-se que  sete são físicos, três psíquicos e quatro espirituais. Os sete sentidos físicos são o gosto, a visão, o olfato, o tato , a audição, o cromulador e o oralador. Os cinco primeiros sentidos, nos são bem familiares, mas os dois últimos são ilustres desconhecidos, pois estão adormecidos. O oralador é o patrono do paladar, e ao contrário do gosto, permanece em estado de latência caso não seja estimulado para ser desenvolvido.

 

A razão de tal dormência se deve a várias causas, que ao longo dos séculos, foram se acumulando. Restou-nos como memória akashica do oralador o prazer pela boa mesa que atribuímos de forma errônea exclusivamente ao gosto. Nasceu desse infortúnio a confusão corrente em se misturar o gosto com o paladar. O paladar não é somente um dos sentidos da sobrevivência; o paladar é um selecionador aprimoradíssimo. É uma espécie de interface do oralador com o gosto. Ao selecionarmos o alimento que nos agrada, arbitramos um gesto de prazer. Esta escolha se apurada torna-se uma unidade espiritual, ou seja, a matéria do corpo físico atende não a um impulso meramente orgânico, mas ao indicativo do espírito do homem.

 

O Instituto Espinhaço,  em parceria com o Instituto Brasilan,  traz a Conceição do Mato Dentro o curso Mesas Mágicas, que estuda o conceito alquímico do paladar, o sensorial do oralador; ensina a despertar o sentido do oralador;  mergulha nos complexos mistérios que envolvem a alma da língua; ensina a criar dentro do cosmos da comida a Boa Mesa; a Mesa Mágica.
Mesas Mágicas ensina a ética do paladar.
O curso é ministrado pela Chef Izolete Beck, graduada em Gastronomia pela Universidade Estácio de Sá, Membro Fundador e Chef da Cozinha Vibracional do Instituto Mukharajj Brasilan.
Além do curso, várias palestras serão trabalhadas dentro deste programa desenvolvido me parceria com o Instituto Brasilan.

O Projeto “Memória e Gestão do Território” surge através de parceria entre o Instituto Espinhaço e o Instituto Terra e Memória, de Portugal, onde está sediado o Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo em Portugal.

 

Este Projeto tem como objetivo incentivar, apoiar e fomentar a pesquisa científica, a troca de conhecimentos, a adoção de novas técnicas e paradigmas e a troca de saberes acadêmicos e tradicionais entre as partes, visando a busca por sustentabilidade cultural, ecológica, territorial, social, econômica, dentre outras, nas regiões da Serra do Espinhaço, no Brasil e de Mação e Alto Ribatejo, em Portugal.

 

Outra ação dentro deste Projeto será a criação de Museu Virtual, a ser instalado em Conceição do Mato Dentro. O Museu visará, sobretudo, o resgate e a preservação da cultura e da memória regional, manifestada no artesanato, na gastronomia, na religiosidade, na sabedoria popular, na presença ancestral da região, além da arte rupestre, dos objetos, utensílios e tudo que envolve a região.

Nada melhor do que refletir o passado para planejar e construir um futuro melhor. Conceição do Mato Dentro tem uma história rica e patrimônios históricos, naturais e humanos valiosos. Cabe ainda ressaltar sua riquíssima cultura popular  e um patrimônio natural único. A grande tarefa atual da comunidade é a de reforçar sua identidade social, cultural e ambiental, para enfrentar os novos cenários que estão por vir.

 

Os 308 anos reafirmam a vocação cidadã de Conceição do Mato Dentro: melhorar qualidade de vida de sua gente, acolher o desenvolvimento sustentável, adotar medidas de conservação de seus mananciais e de sua biodiversidade e ressaltar sua história e a cultura como valores permanentes de seu povo.

 

Este projeto foi idealizado para fortalecer a identidade cultural local, para reafirmar valores essenciais que formaram o mosaico cultural da sociedade local e preparar a comunidade para as novas realidades sócio-econômica e de desenvolvimento que o município está incorporando e que, inevitavelmente, mudarão a dinâmica social e territorial de nossa região.

 

Nesse novo cenário que vivenciamos e que experimentaremos de forma contundente nos próximos anos, os aspectos culturais devem ser considerados, abordados e estimulados de forma clara, ampla e com perspectivas de longo prazo, promovendo uma reafirmação dos pilares culturais que sustentaram, ao longo dos séculos, nossa sociedade, propiciando uma interação entre passado, presente e futuro, gerando, satisfatoriamente, planejamento de nossas ações vindouras. A implementação dessas ações conduziu ao fortalecimento, no seio da comunidade, de sentimentos relevantes, a saber, respeito, auto-estima e admiração ao sistema de valores e crenças, todos fundamentais para  a manutenção da identidade social, étnica e cultural do povo conceicionense. As inúmeras palestras, seminários, apresentações teatrais e musicais, inclusive de orquestras de música clássica, caminhada e missa ecológica, grupos folclóricos, dentre outras atividades, proporcionaram momentos únicos para toda a comunidade.

 

A comemoração dos 308 anos propôs um momento de reflexão à sociedade, reforçando nossa permanente busca por um futuro melhor. A Conceição do Mato Dentro que queremos para o futuro é uma cidade melhor para se viver, mais inclusiva e mais equânime. Uma cidade que preserva e valoriza seu imenso patrimônio natural e que quer perpetuar sua riquíssima cultura, construída ao longo de mais de três séculos de história.

 

Riqueza histórica

Poucas cidades brasileiras têm uma história tão rica como Conceição do Mato Dentro. O município foi berço de uma epopéia iniciada pelos ibéricos, marcada pela busca da riqueza mineral e pela ocupação de seu território. Mais que extrair ouro e diamante, essa ocupação possibilitou a criação de novos e marcantes traços de identidade sócio-cultural e econômica. Aqui, se cultivou a religiosidade com ardor, mas também com uma impressionante mistura de sentimentos e ideais que permaneceram ao longo da história. Sentimentos estes que estão intrinsecamente ligados à alma das Minas e das Gerais.
Conceição do Mato Dentro, como um dos mais antigos núcleos urbanos do Estado, preserva muito desta aura de mineiridade. E é essa identidade que se deseja ver  perpetuada. Momentos como este – comemorar 308 anos de história – são emblemáticos na construção de um futuro mais sustentável sob vários aspectos:
O cultural, enquanto resgate, valorização e fortalecimento do legado dos nossos antepassados para o município;

– O ambiental, proporcionando um modelo de desenvolvimento que respeite nosso patrimônio natural e biodiversidade,  permitindo assegurar que as gerações futuras possam nele interagir também;

– O social, de forma que o cidadão conceicionense viva esse novo momento com mais qualidade de vida, absorvendo-o e com ele interagindo num processo evolutivo positivo e socialmente equilibrado;

– O da espiritualidade, resgatando e fortalecendo valores da paz, harmonia, solidariedade, respeito e compreensão, de forma que sejam permanentes e sinergicamente internalizados por todos.

 

Identidade cultural

Mas muito ainda precisa ser feito. Trezentos e oito anos de transformações fizeram com que o povo não transmitisse a seus descendentes, integralmente, aspectos relevantes de sua identidade sócio-cultural.

Indiscutivelmente, essa identidade necessita ser resgatada por todos nós. Nosso patrimônio histórico precisa ser restaurado, nossa riqueza natural precisa ser preservada e conservada para as gerações futuras. E tudo só será possível com o envolvimento da comunidade em cada etapa deste processo de reconstrução e de fortalecimento de nossa identidade sócio-cultural.
Assim como outras cidades históricas, Conceição do Mato Dentro precisa despertar, nos cidadãos e nos gestores, um sentimento de respeito e admiração pelos seus 308 anos, mobilizando-se enquanto comunidade para impedir que riquezas sublimes sejam destruídas pelo tempo, como é o caso, da matriz de Nossa Senhora da Conceição. Precisa,  também, sensibilizar as pessoas, que aqui chegam a cada ano para vivenciar a cidade, de que Conceição do Mato Dentro é um patrimônio da humanidade, como o é todo o seu entorno reconhecido como reserva da biosfera pela UNESCO.

 

Reflexão

Neste sentido, nada mais oportuno do que fazer das comemorações de 308 anos um momento de reflexão sobre a transformação eminente que nossa sociedade enfrentará e de construção do nosso futuro comum. E este momento de nossa história não está restrito aos que aqui residem, mas abrange a todos aqueles que amam a cidade e suas belezas naturais e que precisam compreender este futuro que queremos construir coletivamente, com a participação de todos os atores sociais e econômicos envolvidos com a permanente busca de valorização de nossas raízes.

 

A proposta do Instituto Espinhaço apresentada neste projeto sustenta-se num trabalho de disseminação destes ideais junto aos cidadãos conceicionenses, turistas, pessoas que trabalham na cidade, comunidades rurais, formadores de opinião, mídia, bem como, atores sociais e econômicos que interferem direta ou indiretamente na vida da cidade.

Quem Somos

O Instituto Espinhaço – Biodiversidade, Cultura e Desenvolvimento Socioambiental, é uma ONG sem fins lucrativos que atua em convergência as estratégias propostas pela Unesco para o desenvolvimento dos territórios inseridos em uma reserva de biosfera...

Onde Estamos

  •   Rua José Sena 26 A – Rosário – Conceição do Mato Dentro - Minas Gerais
  •   (31) 3868.2362
  •   institutoespinhaco@institutoespinhaco.org.br

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